Fiscalização eletrônica da ANTT muda o jogo: frete fora da tabela agora é detectado automaticamente

O frete rodoviário brasileiro entrou em uma nova fase — e, desta vez, não há mais espaço para improviso. A fiscalização eletrônica da ANTT está mudando as regras do jogo.







A partir do cruzamento de informações entre sistemas digitais — como o CIOT, o MDF-e e o RNTRC —, a agência consegue agora identificar automaticamente quem paga ou recebe fretes abaixo do valor mínimo legal.

O resultado é imediato: as multas por descumprimento da tabela dispararam quase nove vezes em 2025. E isso não é coincidência. É tecnologia.

A digitalização do transporte, antes vista como uma promessa distante, virou instrumento de controle. O sistema cruza dados de emissão de notas, registro de viagens e pagamento de frete. Quando há divergência entre o valor pago e o mínimo legal calculado, o alerta é automático.

A multa chega sem precisar de denúncia ou blitz na estrada.

É o fim da era do “ninguém vai ver”.
Agora, a estrada tem olhos — e eles estão conectados a Brasília.

A medida, apesar de polêmica, tem uma lógica clara: garantir que o caminhoneiro não seja explorado por fretes aviltantes, que desrespeitam o custo real de rodar. O valor mínimo foi criado justamente para evitar que a concorrência desleal e a pressão de grandes contratantes empurrem o motorista ao prejuízo.

Mas o impacto vai além. Com o aumento das autuações, embarcadores e transportadoras que insistem em ignorar a lei estão começando a rever suas práticas. A mudança não é só punitiva — é cultural.

Ainda há resistência, principalmente de setores do agronegócio, que alegam que a tabela é rígida e não reflete realidades regionais. É um debate legítimo. Mas o que não cabe mais é a ilegalidade travestida de argumento econômico.

Um país que depende 65% do transporte rodoviário não pode continuar fingindo que o custo do frete é negociável quando ele define o preço do alimento, do combustível e de toda a logística nacional.

Com a fiscalização eletrônica, o Brasil dá um passo que estava atrasado há anos: usar a tecnologia para fazer valer o direito de quem carrega o país nas costas.

O caminhoneiro, que tantas vezes foi o elo mais fraco da corrente, agora tem uma ferramenta invisível — mas poderosa — ao seu lado: o algoritmo.

E esse novo fiscal não dorme na beira da estrada.

Fonte : https://ocaminhoneirolegal.com.br/

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