O vídeo de Janderson “Patrola” Maçaneiro abriu a ferida. Mas o problema é ainda mais profundo: existe hoje no transporte de cargas uma espécie de apagão de frete, um descontrole silencioso que vem sendo alimentado por embarcadores, plataformas digitais e pela ausência de fiscalização efetiva.
No período de safra, onde ocorre fretes de produtos do agronegócio por exemplo , o mercado corre. No período de entressafra, o caminhoneiro sofre demais.
A dinâmica é conhecida:
- motoristas oferecendo frete cada vez menor
- embarcadores segurando cargas para baixar o preço
- plataformas priorizando o mais barato, não o mais justo
- transportadoras intermediando valores abusivos
- autônomos desesperados aceitando trabalhar no prejuízo
É um jogo desigual em que a mesa está sempre inclinada. E quem vive da estrada sente isso na pele. Se está faltando caminhoneiros e também os dedicados, isso explica muito.
Os embarcadores estão prejudicando o mercado
Nas últimas semanas, representantes da categoria relataram à ANTT que muitos embarcadores têm adotado uma estratégia deliberada de priorizar veículos cujo custo operacional é menor — como o 6×2 e o 6×4 vazio — para forçar a queda do preço médio do frete.
Em alguns trechos, o 4º eixo e o 7º eixo estão sendo deixados de lado, mesmo sendo equipamentos mais eficientes para o transporte. A escolha não está sendo técnica, mas financeira. E isso cria um ciclo muito perigoso para a estradas, porque afinal de contas, todos circulam nas estradas. Assim, é preciso que existam condições de manutenção dos veículos e que os caminhoneiros possam ter uma vida digna. Porque caminhoneiro cansado e caminhão velho provocam mais acidentes.
O autônomo é o elo mais fraco
O caminhoneiro autônomo enfrenta sozinho:
- o custo do caminhão
- a pressão do mercado
- a instabilidade da economia
- a falta de informação sobre frete real
- a negociação com embarcadores poderosos
- a urgência de voltar para casa com dinheiro
A ausência de fiscalização escancara o problema
Sem reequilíbrio, o colapso é questão de tempo
Fonte : https://ocaminhoneirolegal.com.br/
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