Preço médio atingiu R$ 8,72 por km, com reflexo da nova Lei do Frete Mínimo e do fim da colheita da segunda safra de milho
O preço médio do frete por quilômetro rodado fechou agosto em R$ 8,72, ante R$ 8,63 em julho, uma alta de 1,04%, segundo a mais recente edição do Índice de Frete Rodoviário da Edenred (IFR), calculado com base em dados exclusivos da plataforma Repom.
Diferentemente
do mês anterior, a alta do frete em agosto ocorreu mesmo diante de uma nova
redução nos preços dos combustíveis, um dos principais componentes dos custos
do transporte rodoviário. De acordo com o Índice de Preços Edenred Ticket Log
(IPTL), agosto registrou o quarto mês consecutivo de queda nos preços
praticados nos postos. O diesel comum caiu 1,17%, para R$ 6,70 por litro,
enquanto o diesel S-10 apresentou redução de 0,70%, para R$ 7,05 por litro.
Nesse
cenário, a alta do frete foi influenciada principalmente pelo ambiente
regulatório. A entrada em vigor da Lei nº 15.485/2026 (Lei do Frete Mínimo)
reforçou a necessidade de cumprimento do piso mínimo estabelecido para o
transporte rodoviário de cargas. Com a nova legislação, a Agência Nacional de
Transportes Terrestres (ANTT) passa a fiscalizar de forma mais abrangente a
aplicação do piso e a emissão do Código Identificador da Operação de Transporte
(CIOT) em praticamente todas as modalidades de transporte de carga. Na prática,
a maior fiscalização e a necessidade de adequação às novas regras podem elevar
os valores praticados no mercado, contribuindo para a alta observada no frete
em agosto.
Além
dos fatores legais, a dinâmica do campo pressionou os custos logísticos. O
final da colheita da segunda safra do milho promoveu um aquecimento na demanda
por transporte rodoviário. Esse movimento tende a manter o viés de alta nos
preços para o mês de setembro, em meio à valorização do grão e às incertezas do
agronegócio referentes aos possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a
próxima safra. As cotações do milho seguem em patamares elevados na maior parte
das regiões produtoras. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em
Economia Aplicada), enquanto a colheita da segunda safra entra na reta final, a
semeadura da safra de verão 2026/27 já começou no Sul do país. Em sentido
oposto ao segmento agrícola, os setores da indústria e da construção civil
mantiveram um ritmo de menor movimentação, permanecendo em compasso de espera
durante o mês de agosto.
“Agosto
registrou um cenário em que a queda dos preços dos combustíveis nas bombas não
foi suficiente para conter a alta do frete. O movimento foi influenciado,
principalmente, pelo novo marco regulatório, que reforçou a fiscalização do
cumprimento do piso mínimo pela ANTT e os mecanismos de controle das operações,
além das demandas sazonais do agronegócio. Para setembro, o mercado deve seguir
atento ao comportamento das cotações do milho e às condições climáticas,
fatores que podem manter os custos do transporte de cargas em patamares
elevados”, explica Vinicios Fernandes, Diretor de Unidades de Negócios da
Edenred Mobilidade.
O IFR é um índice do preço médio do frete e sua composição
é levantada com base nos dados exclusivos das 8 milhões de transações anuais de
frete e vale-pedágio administradas pela Edenred Mobilidade. A linha de negócios de
Mobilidade da Edenred Brasil há 30 anos é especializada na gestão e pagamento
de despesas para o mercado de transporte rodoviário de carga e líder no
segmento de pagamento de frete e vale-pedágio.
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