Obrigatoriedade do CIOT amplia o registro de informações sobre o transporte remunerado de cargas, enquanto agentes de IA ajudam gestores a consultar dados, analisar custos e acompanhar a situação dos veículos com perguntas em linguagem simples
Todo
mundo já sabe que uma hora vai usar inteligência artificial. A questão agora,
dentro das empresas, é descobrir onde ela realmente pode poupar tempo e ajudar
no trabalho do dia a dia. Na gestão de frotas, uma aplicação simples pode fazer
diferença: perguntar.
Quais
foram os cinco veículos com maior custo? Quanto cada um rodou? Quantas ordens
de serviço teve? Qual foi o gasto com peças?
São
perguntas simples para quem administra uma frota, mas que nem sempre têm uma
resposta rápida. Dependendo de como os dados estão organizados, é preciso
procurar relatórios, aplicar filtros e cruzar informações antes de chegar ao
resultado.
Nesse
processo, a inteligência artificial muda principalmente a forma de acessar e
explorar os dados. O gestor pode começar com uma pergunta e aprofundar a
análise conforme surgem novas informações. Ao identificar, por exemplo, os
veículos com maior gasto de combustível, pode avançar para o custo por
quilômetro, comparar períodos, investigar quais unidades estão fora do padrão
e, ao final, reunir os resultados em uma planilha.

Uso da IA muda a forma de acessar e
explorar os dados
“Uma
empresa registra diariamente abastecimentos, despesas, manutenções, pneus,
checklists, documentos, compras e informações sobre os veículos. O ponto é
conseguir transformar esse volume de dados em respostas úteis, sem que cada
dúvida exija uma nova análise manual”, afirma Paulo Raymundi, CEO da Gestran,
empresa brasileira de tecnologia para gestão de frotas.
Esse
tipo de interação já começa a chegar aos sistemas utilizados pelas empresas de
transporte. A Gi, agente de IA integrada ao Gestran Frota, plataforma de gestão
de frotas da empresa, por exemplo, permite que o gestor faça perguntas em
linguagem natural, como faria com alguém da equipe no seu dia a dia, sem precisar
usar comandos específicos ou procurar a informação em menus e relatórios. A
partir da resposta, ele pode continuar a consulta e aprofundar a análise.

Paulo Raymundi, CEO da Gestran
“Quando
uma informação não depende mais de uma busca demorada, ela passa a fazer parte
da rotina com muito mais naturalidade. O ganho está em tirar pequenas barreiras
do caminho para que a equipe consiga trabalhar melhor com aquilo que já tem à
disposição”, avalia Raymundi.
A
informação pode ser apresentada de diferentes formas, de acordo com o que o
gestor precisa naquele momento. “Além da resposta em texto, os dados podem ser
organizados em gráficos ou exportados para Excel e CSV, o que permite levar
aquela análise para outras etapas da gestão”, explica.
Para
o executivo, a questão não é criar mais informação, mas tornar mais simples o
acesso às informações que a empresa já tem. “A mudança principal não está na
coleta de dados; isso o setor já fazia. Está na velocidade entre ter uma
pergunta e ter uma resposta confiável.”
A
adoção desse tipo de recurso ainda é baixa entre as empresas. Segundo Raphael
Aguiar, sócio e diretor da Gestran, apenas 15% das empresas do setor atingem o
objetivo de gestão de frota. Controle, custos e segurança estão entre as
principais demandas dos clientes, afirmou o executivo durante o evento Frotas
Conectadas, realizado em agosto de 2026.
O
mesmo acontece com a IA. No Brasil, uma pesquisa da Live University/Inbrasc
mostra que 88% das empresas já usam IA generativa, mas apenas 14% estão em
estágio avançado no uso de agentes de IA para análises e previsões.
Fora
do país, o cenário aponta para outro desafio: conectar as diferentes áreas da
operação. Pesquisa da PwC com líderes de operações e supply chain mostra que
83% acreditam que agentes de IA e automação podem ajudar nesse processo. Mas só
27% dizem ter uma estratégia de IA totalmente integrada às diferentes unidades
do negócio.
A
qualidade das informações também pesa, pois, para 87% dos entrevistados, ela
limita os resultados das iniciativas digitais, e só 37% se sentem confortáveis
em delegar processos inteiros a agentes de IA.
“A
tecnologia sempre foi muito boa em registrar o que aconteceu. O que muda agora
é a possibilidade de colocar esse histórico para trabalhar durante a tomada de
decisão. O gestor não precisa esperar o fechamento do mês para descobrir que
alguma coisa saiu do padrão. Ele pode investigar a situação enquanto ela está
acontecendo e decidir se precisa agir”, diz Paulo Raymundi.
As
novas regras da ANTT também aumentaram o volume de informações sobre cada
operação de transporte. Desde maio de 2026, o CIOT (Código Identificador da
Operação de Transporte) passou a ser obrigatório no transporte rodoviário
remunerado de cargas. O registro reúne dados como contratante, transportador e
veículo, permitindo acompanhar melhor cada operação.
“Com
mais informações registradas sobre as operações, o gestor também precisa
conseguir consultar esses dados com facilidade. A Gi ajuda nessa etapa,
trazendo as informações solicitadas sem alterar os registros do sistema ou
executar alguma ação”, conta o CEO da Gestran.
E o
motorista? Embora a Gi tenha o gestor como usuário, as decisões tomadas a
partir dessas informações chegam ao pátio, à oficina e à estrada. Uma alteração
na programação, a antecipação de uma manutenção ou a retirada de um veículo de
circulação, por exemplo, pode mudar a rotina de quem está ao volante.
“Um
veículo parado pode exigir uma mudança de escala, uma reorganização da
programação ou até uma alteração de rota. Por isso, quanto antes o gestor
entende o que está acontecendo, mais alternativas ele tem para reorganizar a
operação e reduzir o impacto para quem está na estrada”, afirma.
A
ociosidade é um dos pontos que podem ser investigados com esse tipo de
consulta. Ao perguntar quais veículos estão parados e há quanto tempo, o gestor
consegue entender a capacidade disponível e avaliar os impactos na programação
da frota.
Raymundi
esclarece que a Gi não executa essas decisões; ela consulta e interpreta as
informações disponíveis, mas não altera registros, cria ordens de serviço ou
realiza outras operações no sistema. “A IA entra para encurtar esse caminho.
Ela não conhece a operação melhor do que quem está nela todos os dias, mas pode
ajudar esse profissional a chegar mais rápido ao ponto que precisa avaliar”,
conclui.
Fonte Sobre
a Gestran acesse: https://www.gestran.com.br/
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referências:
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